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Nílton Waldemar Stock



Porto Alegre é a capital do Rio Grande do Sul.

Fica à margem do Rio Guaíba. À margem do pôr-do-sol.

         Na verdade, o Rio Guaíba é um grande lago onde desembocam rios importantes.

Ali nasceu um homem que, pela sua intensa dedicação ao Jogo de Damas, durante toda sua vida, teve seu nome aclamado, em reunião com todos os damistas do Estado.

Patrono da Federação Riograndense do Jogo de Damas pelo período de cem anos.

Nilton Waldemar Stock.

         Rua Leopoldo Bier, 640. Bairro Santana.

         Lá morava o Stock. Lá morava o Jogo de Damas em Porto Alegre.

         Não tínhamos sede para a Federação.

         Era nesta casa que se reuniam todos os melhores damistas da cidade, sem exceção, para disputas de torneios que duravam o domingo inteiro.

         Uma foto daqueles tempos iria mostrar os grandes jogadores de Porto Alegre da década de 60.

         Darcy Fagundes (o Motorneiro), Antônio Câmara (o Toninho), Alberto Martins (o Baiano, quase invencível), Rio Branco Ripoll (que viveu até os 100 anos), Erondino Camilo (o Seu Dino), acompanhado do seu menino Marcos Camilo, hoje destacado damista, Dr. Milton Ribeiro, Otílio Araújo (que se intitulava campeão sul-americano), Urano Vieira (chamado Mestre Urano e que foi homenageado em fevereiro/2008 como o mais antigo damista em atividade), Osmar Almeida (o Colono), Marcos Biegum, Adolfo Olivério (Rafanelli), Osmar Campos, Heraldo Munhoz (o Professor Heraldo), Carlos Scherer, Lahyr Gnocchi, Jairo Flores, Othon Ferreira Pinho, dentre outros.

         Estes nomes homenageiam a classe de damistas da Velha Guarda, quando se tinha pouco material para estudo e o que prevalecia era realmente o talento de cada um.

         A história do Jogo de Damas no Brasil inicia por pessoas como essas.

         Ingenuidade. Educação. Respeito. Rivalidades damísticas. Folclóricas situações. Banquinhos na frente de bares. Mesinhas dentro de uma barbearia. Pessoas simples. Nas capitais e nos interiores deste nosso País.

Fechado o parêntesis, Nilton Stock era um abnegado. A sua importância para o Jogo de Damas foi tanta que um e outro se tornaram sinônimos aqui no Sul.

         E este pequeno dicionário de uma palavra só permaneceu até o dia em que Nilton nos deixou.

         Campeão de Porto Alegre e campeão do Rio Grande do Sul foram títulos pequenos para ele.

         Nos anos 70, já preocupado com a organização do damismo no Brasil, ele tenta, com Roberto Telles de Souza, criar o rating brasileiro, baseado na gama de informações de torneios e campeonatos que ambos, pacientemente, juntaram em arquivos e arquivos.

         Esse trabalho só não prosperou devido às dificuldades de comunicações entre os damistas brasileiros naquela época. Mas a idéia era grandiosa.





Quando da criação da Confederação Brasileira do Jogo de Damas, em Niterói, em 1967, lá estava Nilton Stock, representando o Rio Grande do Sul, dando seu valioso voto para tão importante evento.




 

Nem seus dois livros publicados Jogo de Damas ao Alcance de Todos e Lance por Lance fizeram-lhe tão imortal.

 

Por obra da justiça, a Câmara de Vereadores faz com que seu nome se eternize como Cidadão Emérito de Porto Alegre, pelos excepcionais serviços prestados por ele ao esporte (leia-se Damas)  em nossa terra.

Para se ter uma idéia, raramente se via uma foto de Nilton Stock em que, por trás, não aparecesse, em algum lugar, as palavras Jogo de Damas.




 

O Stock tinha duas paixões na vida: sua família, pela qual nutria extremo orgulho, e o Jogo de Damas.

           Dione, pacienciosa (quem joga damas sabe o que digo) e orgulhosa esposa. Uma pessoa adorável.

Mano, seu filho, engenheiro, vitorioso construtor;

Guto, seu outro filho, sensível e talentoso artista plástico e Mosa, sua filha (¨ela é professora, e das melhores do Estado”, Protásio Bueno.).

Sua obra no Jogo de Damas para o Estado é inigualável.

Ele, sozinho, era uma equipe inteira. Ninguém precisava ajudá-lo.

Um dos seus feitos mais extraordinários foi colocar em várias praças da Capital mesas de Damas, ¨ onde antes só havia chão ¨.

A partir de então, reunia nessas praças mais de cem damistas por fim de semana e fazia os emparceiramentos com uma presteza e rapidez espantosas, numa época em que não se falava em computadores.

 




Praça da Alfândega em Porto Alegre.

1988

Um dos eventos realizados por Nilton Stock.

 




Dono de um poder incrível de se relacionar com o semelhante, conseguia atrair multidões, onde ele organizasse seus torneios ou campeonatos e ¨todos estavam classificados para o próximo torneio !¨.

Em todos os momentos em que organizava competições ele conseguia a presença da imprensa escrita, falada e televisada, tal a sua maneira de promover o Jogo de Damas como bem social.




 





Praça da Alfândega em Porto Alegre.

A presença da RBS, a Rede Globo.

 




Coube a ele a proeza de trazer a Porto Alegre o multicampeão Iser Kuperman que se apresentou em vários locais da Capital e do interior do Estado.

 

 

Nessa oportunidade Kuperman mostra ao povo gaúcho toda sua elegância, seu carisma, sua educação. Um encantamento que só os grandes líderes possuem.

Corria os anos noventa e a Praça da Alfândega estava lotada de público, querendo assistir a um dos mais extraordinários damistas do mundo em todos os tempos: Iser Kuperman.

 







Anos 90 – Praça da Alfândega

Iser Kuperman e Vinícius Bueno

 







 

 

 

E os veraneios, para quem gosta, se transformaram em grandes competições de Jogo de Damas.

 



A poesia está intimamente ligada ao Jogo de Damas. Quem anda por ali, sabe disto.

         Por isso, não foi por acaso que o grande poeta gaúcho Mário Quintana (¨ah, estes engenheiros novos que não sabem construir prédios antigos ¨) tenha morrido no dia 5 de maio, o mesmo dia do aniversário do Stock. Uma sensível e delicada homenagem.

Tal a dedicação e tal a eficiência de seu trabalho que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre novamente resolve homenageá-lo.

Uma Rua de Porto Alegre com o nome do importante damista !

Imagine um damista ser tão importante no seu trabalho de desportista que lhe colocam como nome de rua da Capital !

E este fato, ao que se consta, é inédito no mundo !




Por ter falecido, ele não sabe da sua rua, assim como ele não sabe da sua importância para o damismo do Rio Grande do Sul !!

Consta, pelas fotos, e por quem passa por lá, que a Rua do Stock é uma pequena rua.

         Mas todos que a conheceram dizem que esta rua tem oito casas à direita e oito casas à esquerda e que nela há um centro e neste centro há árvores que ali foram colocadas ninguém sabe por quem.