Com Bakumenko em São Paulo e G. Izidoro no Rio, o jogo de damas tomou um impulso fabuloso. Bakumenko, alicerçado em sólidos conhecimentos técnicos, incentivou a prática do jogo, principalmente pela publicação semanal de uma coluna damística no jornal "A Gazeta Esportiva". Manteve também outras colunas e incentivou a criação de outras (L. Engels, famoso jogador de xadrez, incentivado pelo mestre, manteve uma seção no jornal "O Estado de São Paulo"). Criou grupos damísticos e foi a centelha da criação de muitos outros. Editou 2 livros: "Jóias do Jogo de Damas" e "Curso das Damas Brasileiras". Bakumenko faleceu em 13 de maio de 1969.
Por sua vez, G. Izidoro, realizando torneios, criando grupos damísticos e incentivando com simultâneas e prêmios a criação de outros, escrevendo diversas colunas em jornais e revistas, fez crescer o interesse pelo esporte no Rio e em todo o país.
Waldemar Bakumenko lançou na época as “AS REGRAS DE OURO”, que muito ajudaram a criar o perfil ético do damista brasileiro.
1 – Nunca toque a peça antes que resolve movê-la.
2 – Evite durante o jogo conversas inúteis.
3 – Não toque com os dedos as casas do tabuleiro acompanhando o cálculo.
4 – Não mostres impaciência quando teu adversário joga devagar.
5 – Não percas a oportunidade de assistir jogos entre bons damistas.
6 – Não apresentes desculpas da tua derrota. Dá valor à vitória do adversário.
7 – Por ética cumprimenta sempre teu vencedor ou vencido.
A década de 60 foi uma época de grande desenvolvimento para o jogo de damas. Em Belo Horizonte, em 1967, foi organizado o maior campeonato de jogo de damas até hoje do Brasil, reunindo 1009 participantes!
O grande obstáculo surgiu para o jogo de damas brasileiro em 1967, quando João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos, que na época englobava todos os esportes amadores, qualificou o jogo de damas como mera recreação, desfiliando-o da CBD.
Foi um atraso irreparável para a modalidade, pois somente em 19/11/1988 (21 anos depois!!), é que o jogo de damas voltou à condição de esporte no Brasil. Foram 21 anos à margem do processo esportivo nacional.
Em 1967, em Minas Gerais circulava a bela “Revista Brasileira de Damas” e ali encontramos uma matéria mostrando que João Havelange, quando presidente da Confederação Brasileira de Desportes, retirou todo o apoio ao jogo de damas, considerando que esporte era toda atividade predominantemente física.
Essa retirada de apoio ao jogo de damas por parte dos órgãos governamentais, fez com que os damistas brasileiros se unissem e fundassem em Niterói, (R.J.), a Confederação Brasileira de Damas, em 23 de abril de 1967.
A partir deste acontecimento passou-se a organizar anualmente o Campeonato Brasileiro de Jogo de Damas.
O primeiro campeão brasileiro foi o capixaba José Carlos Rabelo.
A partir de 1967, o nível técnico dos damistas brasileiros começou a se desenvolver de forma acelerada.
Surgiu Reginaldo da Cruz, campeão brasileiro de 1968 e Lourival Mendes França, campeão brasileiro de 1969 e 1970.
E em 1971, o vencedor do campeonato brasileiro foi um jovem paulista de 15 anos de idade, que até hoje é o mais jovem campeão brasileiro: Lélio Marcos Luzes Sarcedo.
E em 1973, Lourival Mendes França e Lélio Marcos Luzes Sarcedo viajaram para Nova Iorque, onde participaram do VII American Pool Checker´s Championship, sendo essa a primeira participação internacional do damismo brasileiro.
Em 1975, aos 19 anos de idade, Lélio Marcos Luzes Sarcedo, então presidente da Federação Paulista de Jogo de Damas, foi para a Holanda para filiar o Brasil à Federação Mundial de Jogo de Damas, que foi fundada em Paris, em 1947.
Na década de 70, o jogo de damas no Brasil estava se desenvolvendo em torno das Federações Estaduais, que somavam 12 em todo o país.
E mais um grande obstáculo surgiu para o desenvolvimento da modalidade em todo o território nacional; em 1975, foi promulgada a Lei 6251, que colocou no seu parágrafo segundo que “considerava-se esporte toda atividade predominantemente física”.
O xadrez não chegou a ser prejudicado pois o decreto 60228 que regulamentou a Lei 6251 colocou um parágrafo único no seu artigo segundo: “para efeitos desta lei, eleva-se o xadrez à categoria de esporte”.
Essa conquista do xadrez ocorreu por influência do então super ministro Mário Henrique Simonsen.
Em 1979, 2 brasileiros participaram do I Campeonato Panamericano de Damas Internacional, realizado em Paramaribo, capital do Suriname: Lélio Marcos L. Sarcedo e Cleuber de Souza Landim.
Nesse evento foi fundada a Federação Panamericana de Jogo de Damas.
Em 1982, em São Paulo, foi realizado o Campeonato Mundial de Damas Internacional, cujo vencedor foi o holandês Jannes van der Waal.
Em 1992, a Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo do Estado de São Paulo, incluiu o jogo de damas nos Jogos Regionais e Abertos do Interior do Estado de São Paulo e uma nova era nasceu para o jogo de damas brasileiro.
Em 1995, em Águas de Lindóia, o brasileiro Lourival Mendes França terminou o Campeonato Mundial na primeira colocação ao lado do Grande Mestre Alexander Schvartzman.
Em 2002, na Ucrânia, Francisco Marcelo Araújo Oliveira sagrou-se campeão mundial na categoria juniores na categoria blitz 3x3 minutos e ficou em segundo lugar na categoria 10x10 minutos.
E em 2007, Ana Paula Araújo Brito sagrou-se campeã mundial na categoria cadete nas disputas de blitz 5x5 minutos e vice-campeã mundial nas disputas de blitz 10x10 minutos.
Essas conquistas mostram a grande evolução que vem ocorrendo no jogo de damas brasileiro e a grande alavanca de todo esse processo são os Jogos Regionais e Abertos do Estado de São Paulo.
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